(1ª Parte)


    Ola Amigas. Vou contar-lhes as minhas aventuras no mundo feminino!  Eu sei que esta página contém alguns episódios relatados na minha biografia, mas achei que era importante que os mesmos fizessem também parte desta página.

    O início ...
    Desde muito nova que sempre desejei, um dia, vir a vestir roupas femininas. Tal desejo manifestou-se por pura brincadeira, quando eu e um grupo de amigos decidimos que na festa de carnaval que fomos preparar, as raparigas iam vestidas de rapazes e os rapazes de raparigas. Eu fui vestida com um vestido curto de malha de cor vermelha justo ao corpo, sapatos de salto alto pretos, meias de lycra pretas transparentes e com diversos adereços. Fiquei fascinada quando me vi ao espelho. Durante a festa recebi imensos elogios e fui considerada a mais feminina e sexy.

    A Susana ...
    Desde aí o meu mais secreto desejo só se concretizou quando eu tinha 20 anos, altura em que  decidi ir viver sozinha "in my home". Comecei a trabalhar cedo, para conseguir dar asas ao meu sonho de ter um espaço so meu onde pudesse libertar o meu lado mais feminino. Foi assim que "apareceu" a Susana.
    Nesta altura eu já morava sozinha, o que me permitia de vez em quando, tirar algumas roupas do armário e transformar-me, entre as quatro paredes da minha casa na Susana. O meu guarda-roupa começou então a tomar forma. As minhas primeiras compras foram efectuadas num hipermercado, local onde ninguém liga ao que se compra. Devo confessar que foi com grande naturalidade que me dirigi à secção de lingerie e escolhi um soutien e umas meias de lycra. Passados alguns dias comprei também numa grande superficie uma saia e duas blusas. O meu orçamento não dava para grandes compras.

    A minha "wife" ...
    Este era um segredo so meu. É dificil encontrar alguém em quem confiar plenamente, pois este assunto (ser crossdresser - eu não gosto muito deste termo, mas não consigo encontrar na lingua portuguesa algo melhor para definir um rapaz que gosta de vestir roupas femininas sem que isso signifique homossexualidade) ainda não é compreendido mas sim mal entendido. Mesmo no meu canto, sempre tive este tesouro muito bem guardado com o medo que algum olhar indiscreto deitasse sobre ele uma vista de olhos e eu não tivesse como explicar tal colecão de peças femininas.
    O mais complicado sempre foi esconder da minha namorada, hoje minha esposa.
    Hoje sabe de tudo e aceita. Sufocava-me este segredo. Compartilhar com ela, foi uma das decisões mais difíceis que tomei. Não saber como é que ela iria reagir ou até mesmo poder vir a perdê-la, era impensavel. Tomei a decisão de contar-lhe e senti-me aliviada. Houve muito diálogo e expliquei-lhe que ser CrossDresser não era sinónimo de homossexualidade. Ha quem confunda as duas coisas.
    Eu sou e sempre serei heterossexual. Digo e afirmo!
    Hoje a Susana tem-na como aliada e melhor amiga.

    A ida às compras ...
    O objectivo era comprar uma peruca e uns sapatos de salto alto. Eu já tinha comprado, sozinha ou acompanhada, dezenas de artigos femininos, mas nunca pensei que comprar, em Lisboa, uns sapatos número 40 e uma peruca fosse tão complicado.
    Assim, numa ensolarada tarde de inverno lá partimos nós (eu e a minha wife) à procura de uma sapataria que tivesse uns sapatos pretos número 40. Após termos percorrido dezenas de sapatarias na baixa e em centros comerciais lá encontrámos duas onde era possivel comprar os ditos sapatos.
    A escolha não foi fácil, porque não podendo eu experimentar os sapatos teria que ser "a olho". Devo confessar, que vontade para os experimentar não me faltava, o problema é que essa atitude não seria bem intrepretada nem compreendida pelas outras pessoas presentes na loja.
    A primeira compra estava feita. Agora faltava a peruca. Em Lisboa, ao contrário do que muitos imaginam, não existem muitos locais onde se vendam perucas a preços acessíveis, muito menos perucas que fiquem bem em "mocinhas" como eu. Por mero acaso descobrimos uma drogaria na baixa lisboeta, que além de outros produtos e acessórios, vende perucas.  Feitas todas as compras, estava na hora de voltar a casa para começar a preparar a minha primeira saída à rua.

    A primeira saída ...
    A Susana sempre sonhou em sair um dia à rua, mas era um sonho bastante longinquo que se concretizou.
    Este dia mágico teve inicio logo pela manhã (bem cedo) com a preparação para uma sessão de fotografias em casa. Era necessário que tudo corresse bem, por isso não se podia descuidar nenhum pormenor, desde a maquilhagem, às unhas pintadas, cabelo e até a iluminação do estúdio improvisado. A sessão fotográfica foi muito longa e cansativa, pois tirei quase 40 fotografias com outras tantas toilletes. Mas valeu a pena. Algumas destas fotografias estão publicadas na minha página de fotos.
    No final da tarde, começaram os preparativos para a minha primeira saída à rua. Retoques na maquilhagem, arranjar o cabelo, etc. Finalmente estava pronta para esse grande passo na vida da Susana. Não é facil sair da porta da nossa casa para a rua e enfrentar todos os "perigos" inerentes a uma aventura deste género.
    A sensação … bem … fiquei um pouco nervosa à saída. Sempre existe o perigo de alguém nos ver e reconhecer. Mas depois foi o maximo, uma sensação fantastica saber que estamos a ser observadas e apreciadas como mulheres e verificar que alguns olhares marotos masculinos são capazes de nos confundir com uma verdadeira garota.
    Eu ia vestida com uma blusa branca um pouco transparente, mini saia preta, meias de lycra branca brilhante, sapatos pretos de salto alto, brincos e colar de pérolas e um casaco curto de cor preta porque a noite estava fria. É impossível transmitir a emoção sentida, a adrenalina a percorrer o corpo, indescritível.

    O encontro com a Sandra Pontes ...
    Conheci a Sandra no IRC (Internet Relay Chat), local onde tivémos muitas e longas conversas. O IRC é um local onde as pessoas se reúnem e conversam sobre vários temas. Podemos comparar o IRC a um café (dos antigos) onde os amigos se juntam em volta de uma mesa para conversarem sobre os temas do dia. A grande diferença entre um café e o IRC está no facto de que no IRC tudo é virtual. As conversas não se desenrolam frente-a-frente, nem é possível ver as reacções nem sentir o "tom da conversa".
    Por isso quando se marca um encontro real com uma pessoa com quem já falámos virtualmente dezenas (ou centenas) de vezes é sempre uma aventura. E foi isso que aconteceu. Eu e a Sandra marcámos um encontro para conversar frente-a-frente (passámos do IRC para a mesa do café). Como é mais ou menos evidente, o encontro foi em "male mode" como nós dizemos.
    Falámos durante algumas horas sobre vários assuntos, tendo contribuído decisivamente para o arranque de um projecto que irá reúnir todas as meninas como nós.
    Como a experiência foi bem sucedida, alguns dias depois houve nova conversa.

    Susana Marques